A tolice do sábio

Salomão é conhecido na Bíblia como um homem muito sábio. Ele recebeu sabedoria e tudo o mais que ele precisava de Deus, escreveu muitos provérbios, e em seu tempo, ele se tornou amplamente conhecido por sua sabedoria. No entanto, ele não agradou nem a Deus (1 Reis 11:9), nem ao povo (1 Reis 12:4).

Luz acesa

Foto por: Julián Santacruz (Creative Commons)

Ele tinha tudo que um rei poderia querer: sabedoria, paz em Israel, riquezas, respeito de seus povos e de outras nações, e acima de tudo, o favor de Deus. O que ele fez com tudo isso?

  • casou-se com muitas (quero dizer, muitas mesmo!) mulheres de outras nações (1 Reis 11:1-3), apesar da advertência que Deus já havia dado através da Lei (Deuteronômio 17:16-17);
  • ele permitiu que suas esposas trouxessem a idolatria a Israel (1 Reis 11:4);
  • mesmo tendo Deus lhe aparecido em duas ocasiões (1 Reis 3:5 e 1 Reis 9:1-2), ele construiu altares e seguiu outros deuses, em total desobediência a Deus (1 Reis 11:5-8);
  • ele colocou um pesado fardo sobre o povo, a fim de manter o seu estilo de vida, tanto que eles acabaram se rebelando contra seu filho (1 Reis 12);
  • no final de sua vida, ele tentou matar o homem a quem Deus havia prometido parte do reino (1 Reis 11:40), colocando-se contra a vontade de Deus.

Salomão era tão sábio. Por que ele se comportou como um tolo? Por que ele não usou sua sabedoria para ajudá-lo a ser um bom rei e um homem de Deus, como seu pai, Davi, foi?

Encontramos uma pista nos seguintes versos que ele mesmo escreveu:

Por isso me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento. Pois quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto. (Eclesiastes 1:17-18)

No final de sua vida, ele chega à conclusão de que a sabedoria traz sofrimento e desgosto. Essa é uma percepção triste, não é?

Mas note que a chave para explicar por que ele tornou-se tão frustrado está na sua frase anterior: ele aplicou seu tempo e esforços para a compreensão da sabedoria, loucura e insensatez.

Em vez de usar o dom de Deus, sua sabedoria, para abençoar e servir aos outros, como Deus pretendia, ele ficou tão fascinado com seu dom que acabou por investir seu tempo em estudá-lo. E ele concluiu que isso foi uma perda de tempo.

E ele estava certo: estudar seu dom ao invés de usá-lo foi uma perda de tempo, que lhe trouxe apenas “sofrimento e desgosto”.

Em vez de buscar um relacionamento com o Doador do dom, ele passou seu tempo tentando entender e buscar mais sabedoria, como se ele não tivesse o suficiente.

Deus nos dá dons para que possamos usá-los, não para estudá-los ou admirá-los. Nossos dons devem nos aproximar de Deus, não de nós mesmos. Nossos dons devem abençoar as pessoas, não nos fazer sentir melhor do que ninguém.

Salomão escreveu muitos provérbios, mas ele mesmo não viveu seus conselhos:

O temor do Senhor é o princípio do conhecimento (Provérbios 1:7)

Que nós possamos tomar o seu exemplo e aprender que Deus é o único a ser adorado, aquele em quem nós devemos focar, aquele que nós precisamos conhecer mais e mais. Tudo o que Ele nos dá aqui na terra são apenas ferramentas que devemos usar para realizar o propósito que Ele estabeleceu para nossa vida.

Que nós possamos ser verdadeiramente sábios e concentrar nossas vidas no Doador, e não naquilo que Ele nos dá.

Que nós possamos ser verdadeiramente sábios e seguir a Deus, somente a Ele.

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